Ciência de Dados para todos graças à Cloud

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Como profissional do mundo da tecnologia, estou a presenciar de perto a forma como os modelos de negócio tradicionais, que até agora eram a base do desenvolvimento tecnológico global, estão de facto a mudar drasticamente. Perceber até que ponto esta mudança é a resposta para as novas necessidades do mercado ou se é a existência de novos modelos tecnológicos que deu ao mercado uma nova forma, é algo difícil de dizer.

O que podemos garantir é a existência clara de duas tendências que foram aliás tremendamente aceleradas devido à pandemia do COVID-19. Por um lado, passamos da preocupação com a diferenciação do produto para prestar maior atenção à materialização do valor que a tecnologia promete e respetivos resultados. Por outro lado, a forma como os mercados e a sociedade em geral consomem tecnologia também mudou: o consumo é por Serviço, deixando para trás a propriedade dos ativos tecnológicos.

 

Independentemente da forma como a tecnologia é consumida, há algo que não mudou e que hoje ganha mais destaque do que nunca: a importância da informação em qualquer iniciativa de inovação. Acredito que este ano, reunir, contextualizar, analisar e interpretar para finalmente extrair conhecimento dos dados será algo muito presente nas estratégias de TI das organizações. Seja porque há ainda quem esteja a descobrir como usá-lo a seu favor ou porque se tornou um elemento central para uma grande percentagem de empresas, construir a cadeia de valor da informação será crucial para “sobreviver” a todas estas mudanças produzidas pela inovação nos próximos anos.

No entanto, para que isto aconteça – e, sobretudo, para que aconteça com sucesso – é preciso ir às raízes de toda inovação: as pessoas. É a curiosidade e a formação dos profissionais que transformam o mundo das ideias em realidade.

Impulso da ciência de dados

Sem a educação e formação adequadas, os profissionais não podem realizar o seu trabalho. Por exemplo, se um engenheiro de telecomunicações não souber como funcionam as redes, não poderá desenvolver projetos dentro da sua área. O mesmo acontece com engenheiros civis, jornalistas, professores, economistas, etc. E o mesmo se passa com os cientistas de dados. Eles são mais um elo sim, mas sem eles a corrente de transmissão não anda e, portanto, deve ser dada especial atenção à sua formação.

O perfil do cientista de dados é de uma ave rara que, apesar de fazer parte da comunidade tecnológica há mais de uma década, continua a ser objeto de desejo. Isto deve-se à natureza mutável da tecnologia e à maneira como ela é usada ou consumida. Quando as regras do jogo não estão escritas e podem mudar a qualquer momento (assim como os seus jogadores), tem de se estar disposto a ser um eterno aprendiz neste jogo infinito, onde os que têm as competências certas e atualizadas terão sucesso e vão liderar o jogo. Na verdade, não é sobre ganhar ou perder, é sobre estar à frente ou ficar para trás.

Esta aprendizagem contínua é o que dá a estes profissionais a capacidade de servir (e desafiar!) um mercado em constante mudança. Por isso, no SAS promovemos várias vertentes educativas. Por um lado, temos acordos com universidades para promover a formação em análise de dados, como é o caso da Universidade de Lisboa, NOVA Information Management School, Universidade do Algarve, ISCTE Instituto Universitário de Lisboa, Universidade Católica Portuguesa, Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Instituto Politécnico de Setúbal, Universidade Europeia, Instituto Piaget e Universidade Atlântica. Por outro lado, incentivamos uma aprendizagem contínua através dos nossos cursos e certificações, assim como através de competições como o SAS Curiosity Cup.

Além disso, temos neste momento o Hackathon 2022, no qual reunimos toda a comunidade – programadores, estudantes, startups, clientes ou parceiros de tecnologia – para identificar problemas do mundo real para resolver – ou pelo menos tentar – através da análise de dados. O que procuramos em todos os casos é colocar a nossa melhor tecnologia ao alcance de todos para que aprendam, naveguem e se divirtam, ao mesmo tempo que ganham facilidade e experiência para se tornarem a melhor versão de si mesmos.

A propósito do Hackathon, no ano passado tive o privilégio de ser um dos mentores desta iniciativa e o que posso dizer é que foi uma experiência muitissimo gratificante e enriquecedora, pois tive a oportunidade de conhecer projetos muito interessantes, nomeadamente a criação de um sistema de monitorização sobre o Covid. Ora, poder ver a aplicação das ferramentas analíticas do SAS em temas tão delicados e atuais como é o caso do Covid é realmente compensador.

As expectativas para este ano são por isso grandes e acredito que esta segunda edição será também um sucesso.

 

 Democratizar a analítica com a Cloud

No parágrafo anterior, comentei a importância da cadeia de valor da informação independentemente de como a tecnologia é consumida. No entanto, devemos estar cientes de que estamos num momento tecnológico em que extrair dados de centenas de fontes não é uma tarefa complexa, mas é cara do ponto de vista tecnológico. Abstrair o utilizador da tecnologia necessária e permitir que ele simplesmente consuma os resultados da aplicação de análises aos seus dados é possível graças a um software preparado para este tipo de consumo da cloud. Desta forma, não só o benefício da analítica avançada fica mais acessível a qualquer tipo de público sem a necessidade de um conhecimento aprofundado do assunto, como também economiza tempo que pode ser dedicado a “decifrar” as pistas que a analítica nos dá, progredir e tomar melhores decisões.

Se olharmos para o papel da cloud na analítica avançada, acredito firmemente que ela é a tecnologia que capacita a democratização destes ativos. Graças aos diferentes modelos de implementação na cloud (pública, privada, híbrida), os gastos com hardware são reduzidos, a elasticidade é fornecida com consumo eficiente com base nas necessidades específicas de armazenamento e o processamento de dados (possibilidade de expandir ou reduzir os recursos empregues conforme necessário) e a mobilidade ou colaboração entre equipas é incentivada.

Todos estes benefícios culminam no que para mim é o cerne da questão: com a cloud, os profissionais e estudantes têm a tecnologia mais perto de si, não importa quando ou onde estejam, e a governança de dados passa a ser responsabilidade de todos. Esta responsabilidade nunca deve ser negligenciada, pois a falta de coordenação pode destruir o valor dos melhores modelos analíticos.

Desta forma, a nuvem tem essa qualidade intrínseca que torna a análise de dados mais fácil e acessível a todos. As organizações têm mais facilidade em resolver desafios com sucesso e crescer, melhorando o dia-a-dia, favorecendo a mentalidade “fail fast, fail cheap and learn faster”. Por sua vez, os cientistas de dados podem ter melhor formação e delegar tarefas com pouco valor acrescentado através da automação, concentrando-se nas tarefas em que a mente humana e a sua curiosidade são o verdadeiro elemento diferenciador.

Em suma, é responsabilidade de todos nós como profissionais, estudantes, formadores ou empreendedores, que a ciência de dados deixe de ser um objeto de definição, deixando para trás "o que é" e passe para a próxima etapa em que as suas conquistas são partilhadas como um benefício a todos os estratos da sociedade em geral e aos indivíduos em particular.

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About Author

Ricardo Galante

Senior Systems Engineer - Customer Advisory

Ricardo é Senior Systems Engineer no SAS sendo o responsável pela área de Business Analytics em Portugal em diferentes indústrias. Profissional com mais de 15 anos de experiência no mercado na área analítica, com sólida atuação em estatística, data mining, text mining e big data. É docente convidado no curso de Pós Graduação em Marketing: Big Data e Analytics na Universidade Européia e na Universidade Instituto de Administração – FIA (Brasil) ministrando as disciplinas: Estatística, Data Mining e Text Mining. É Doutorando em Gestão da Informação na NOVA IMS, Mestre e Graduado em Estatística pela Universidade Federal de São Carlos – UFSCar.

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