Executivas de TI discutem liderança feminina no WED

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Painel abordou os desafios enfrentados pelas mulheres no ambiente corporativo e os benefícios da liderança feminina nas organizações durante o Women Empowerment Day 2024, o WED, como chamamos internamente

A representatividade feminina no setor de tecnologia ainda caminha a passos lentos. Segundo um relatório de diversidade publicado em 2024 pela Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia e Comunicação (Brasscom), as mulheres ocupam apenas 39% dos cargos no setor de TI, apesar de representarem 51,5% da população brasileira.

Por outro lado, a pesquisa sugere que as mulheres superam os homens em qualificação para cargos de diretoria e gerência, além de apresentarem maior presença em contratações para cargos de analista e coordenação.

Apesar desses avanços pontuais, o cenário geral ainda é preocupante. Quando olhamos para o mercado de trabalho brasileiro como um todo, as mulheres também ocupam somente 39% dos cargos de liderança e, em média, recebem salários que podem chegar à metade do valor pago aos homens na mesma posição, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa disparidade salarial torna-se ainda mais acentuada em setores tradicionalmente dominados pelo gênero masculino.

Um dos painéis do Women Empowerment Day (WED) 2024 discutiu os desafios enfrentados pelas mulheres no ambiente corporativo e os benefícios da liderança feminina nas organizações. O debate demonstrou que empresas com maior diversidade de gênero em cargos executivos apresentam melhores resultados financeiros, têm maior capacidade de inovação e ambientes mais colaborativos.

Mediado por Thais Cerioni, head de marketing do SAS Brasil, o painel contou com a participação de grandes referências no mercado: Cíntia Silvestre, superintendente de TI no Banco BMG; Vanessa Bustamante, CIO do Grupo HDI;Rita Carvalho, sócia e diretora de risco operacional no Itaú; e Claudine Bayma, diretora-geral da Kwai Brasil.

Conselhos valiosos

Claudine, da Kwai, abordou um tema recorrente entre mulheres em posições de liderança: a hesitação em aceitar novas oportunidades. A executiva compartilhou uma experiência pessoal em que sua primeira reação a uma promoção foi dizer "vou pensar", reflexo de um comportamento que contrasta com a resposta típica masculina:

 

[Este episódio] me ensinou algumas coisas, sobretudo que precisamos ser mais confiantes. Mesmo que tenhamos uma autocrítica muito grande, precisamos aceitar mais os riscos", relatou.

 

Ao abordar outros desafios enfrentados pelas mulheres em um segmento majoritariamente masculino, Vanessa, do Grupo HDI, relembrou as dificuldades do início de sua carreira, quando sentiu a necessidade de se "masculinizar" para ser aceita no ambiente corporativo. Apesar de não sentir mais essa necessidade de adaptação, ela destacou sua percepção de que o setor "vem superando" essas questões.

A discussão também não se esquivou de temas sensíveis, como o racismo.

 

Estamos num país estruturalmente racista, ponto. Quando você começa a conversar, se aprofundar na pauta e ler sobre isso, [entende que]há uma dívida histórica que precisa ser paga", afirmou Rita, do Itaú, ressaltando a necessidade de uma postura ativa no combate à discriminação.

 

Ao longo da conversa, as executivas compartilharam conselhos valiosos para mulheres que aspiram a posições de liderança, enfatizando a importância de buscar mentoria, manter a autenticidade, aceitar desafios e serem gentis consigo mesmas.

Cíntia, do Banco BMG, destacou a importância de estabelecer "contratos" com a família e a empresa para equilibrar as demandas pessoais e profissionais. "É possível ter esse paralelismo entre cuidar da carreira e construir a família", afirmou, referindo-se aos pactos que muitas mulheres precisam fazer ao longo da trajetória profissional, especialmente em momentos de maior dedicação ao trabalho.

Ser uma liderança feminina permite compreender melhor os desejos e as necessidades de outras mulheres, pontuou Claudine: "[Estar em posições de decisão] nos faz entender o que é preciso para reivindicar e ocupar nossos lugares à mesa, crescer em nossas carreiras, reduzir a disparidade salarial e dar atenção a políticas corporativas mais favoráveis à família, que nem todas as empresas possuem", destacou a executiva, resumindo a importância da presença feminina em cargos de senioridade.

 

[Mulheres líderes são] mais propensas a apostar na horizontalidade da gestão e a encorajar a participação de todos, tornando as equipes mais coesas e eficientes", acrescentou.

 

A sessão do WED reforçou que, apesar dos avanços conquistados, ainda há um longo caminho a ser trilhado na busca pela equidade de gênero no mercado de trabalho, especialmente no setor de tecnologia. Porém, a discussão reforçou que a combinação de competência técnica, resiliência e autenticidade tem sido fundamental - tanto para abrir caminhos, quanto para inspirar mais mulheres a ocuparem posições de liderança.

Conheça a história do WED e as mudanças para a edição de 2025 na entrevista com Thais Cerioni, head de marketing do SAS Brasil.

Serviço - SAS Women Empowerment Day 2025 

Data: 18 de março, das 8h30 às 13h30 

Local: Casa Pompéia, em São Paulo 

Inscrições: Women Empowerment Day 2025 | SAS

 

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Maíra Porto

Content Marketing Specialist

Jornalista e mãe do Miguel e da Catarina. Há mais de 15 anos, Maíra atua em comunicação corporativa, principalmente no setor de tecnologia, tendo contribuído com a construção e a reputação de startups e grandes companhias nacionais e multinacionais. Atualmente, integra o time de marketing do SAS Brasil.

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